Entrevistas

Helio Masao - Empreendedor Serial

Típico caso de empreendedor serial, Helio Masao Katanosakaja iniciou diversos empreendimentos em sua vida. Um dos fatos motivadores para esse comportamento é o fato de provir de uma família formada por empreendedores.  Começando pelos pais e passando pelo irmão mais velho, todos têm o negócio próprio. Até a irmã que não tem seu negócio gerencia uma franquia do O boticário com atitudes de uma verdadeira intra- empreendedora.

Estudante do curso técnico em Processamento de Dados na Escola Técnica Federal de São Paulo, Helio iniciou cedo na carreira em IT (Tecnologia da Informação), tendo a oportunidade de atuar como estagiário na Telesp e como programador na extinta Transbrasil.

Concluído o curso em 1990, Helio passou a atuar  como free-lancer na área de IT da Unilever. É nessa época que começa a despertar seu perfil empreendedor. Para que pudesse atuar na área ele abriu uma empresa em seu nome e prestava serviços a uma empresa que tinha como cliente a Unilever.

Trabalhando na Unilever foi que Helio conheceu a pessoa que o inspirou como empreendedor, o Sr. Eugênio. Ele era proprietário de uma empresa que também prestava serviços em IT, chamada EGF. Pela sua habilidade no tratamento aos seus colaboradores, todos se sentiam muito felizes em trabalhar para ele. Além disso, quando Helio iniciou seu primeiro negócio, ele contou com grande suporte do Sr. Eugênio que não só deu várias dicas importantes de gerenciamento, como também apresentou alguns clientes aos jovens empreendedores. Até hoje Helio se inspira no Sr. Eugênio, principalmente na forma como trata os seus colaboradores.

Em 1992, tendo trabalhado por dois anos na Unilever, Helio, então com 21 anos, e o seu primeiro sócio, identificaram uma oportunidade na própria área de atuação e decidiram abrir a primeira empresa, contando apenas com recursos intelectuais advindo de experiências profissionais anteriores, sem realizar nenhum tipo de planejamento e utilizando tanto as instalações quanto os ativos necessários, dos próprios clientes.

É nessa época também que Helio inicia o curso de Administração de Empresas na FEA/USP. Estudo esse que ele não considera relevante para seu sucesso, pois alega que as competências necessárias foram aprendidas no dia-a-dia com os erros e acertos e não na teoria durante a universidade. A empresa, porém, não dá certo e Helio decide trabalhar na Sybase, empresa americana de software.

Enquanto trabalhava na Sybase Helio conheceu o seu atual sócio, Wolf. No ano de 1994 eles decidiram abrir a primeira empresa, FLOW & HMK. Essa empresa surge quando ambos identificam uma oportunidade de mercado e, já no início, contam com o Banco Bamerindus que acredita no potencial dos empreendedores e se propõem a ser o primeiro cliente.

Mas logo no ano de 1996 acontece o momento mais crítico na vida empreendedora de Helio e Wolf. A FLOW & HMK ficou sem nenhum cliente e, conseqüentemente, sem receitas durante quatro meses, um problema,  apesar de a empresa, naquela época, não ter despesas significativas. Isso foi resultado tanto da situação do mercado na época, quanto de um erro estratégico, pois tinham grande dependência de um único cliente, que não renovou o contrato no seu término. Isso serviu como um grande aprendizado, pois hoje não tem relação de dependência com nenhum cliente específico.

Apesar das barreiras, eles nunca pensaram em desistir do negócio. Ao invés disso, criaram novas modalidades de contrato/negociação, baseado em risco (caso a empresa não cumprisse o prometido, o pagamento seria suspenso), que abriram possibilidades com novos clientes. Em 1997 eles já estavam recuperados, tendo em sua carteira de clientes o Bank Boston, o Banco BMC, dentre outros.

A empresa FLOW & HMK foi criadora do sistema de recarga de celulares por meio de transações bancárias, tanto via Internet quanto em terminais de auto-atendimento, substituindo a antiga forma que utilizava cartões com código para recarga. Esse sistema foi o utilizado pela Telesp Celular quando lançou o celular Baby. Através dessa tecnologia, a FLOW & HMK conquista em seu portfólio de clientes 15 das 17 operadoras de celulares que estavam operando no Brasil à época e 6 dos maiores bancos da América Latina, consolidando então, sua posição no mercado.

Em 2001, o grupo britânico Upaid, interessado em entrar no mercado latino americano, fez uma oferta aos sócios Helio e Wolf e eles então decidiram vender a promissora empresa. Após a venda, Helio continuou na Upaid como diretor geral,posição que ocupou até Dez/2002, enquanto Wolf foi para o exterior para cursar mestrado na área de gestão de TI.

Dois anos mais tarde, em 2003, os dois sócios Helio e Wolf retomaram a parceria de sucesso e fundaram a IntBiz, uma holding na área de tecnologia cuja principal empresa é a Tech4B. Dessa vez devido à experiência prévia os empreendedores fizeram todo o processo de criação da empresa de maneira estruturada, tendo um plano de negócios e uma linha de atuação bastante clara.

Além da Tech4B, cujo foco de atuação está na área de qualidade, existem outras duas iniciativas em curso, para as quais estão sendo elaborados os  planos de negócios. Uma delas inclusive, já possui parceiros tanto nacionais quanto estrangeiros, e está em fase de captação de recursos junto a sócios capitalistas.

No ano de 2005, a Tech4B é uma das 16 empresas que foram selecionadas para captar recursos junto ao FINEP, tendo concorrido com 170 empresas inscritas. O plano de negócios que será apresentado a 50 investidores potenciais está sendo elaborado com o coaching de uma empresa de gestão de capital de risco. O plano da Tech4B visa expansão através de formatação das ferramentas de uso interno para o mercado e a criação de uma área comercial. Isso levará à profissionalização da Tech4B permitindo que os sócios se afastem da operação e dediquem mais tempo à estratégia de consolidação da holding IntBiz.

É importante destacar nessa história o sucesso obtido na sociedade de Helio com seu amigo Wolf. Como eles mesmos descrevem existe uma complementaridade de seus perfis, enquanto Wolf é focado na parte de pesquisa e desenvolvimento, Helio tem foco administrativo e grande conhecimento da área de vendas. É por isso que eles conseguem manter um relacionamento de 11 anos, inclusive sendo amigos pessoais. Mas a de se  destacar que desde o princípio buscaram separar as divergências de opinião geradas nos negócios de suas relações pessoais.

BATE-BOLA

Quais são suas forças e fraquezas?

Minhas forças são principalmente a sinergia com meu sócio, com o qual percebe-se claramente a relação de complementaridade, respeito e confiança, a confiança dos colaboradores e o nome que temos no mercado. Minhas fraquezas são as relações patriarcais com os colaboradores, tendo sentido necessidade de profissionalização.

Qual foi o momento de maior satisfação?

O momento de maior satisfação até agora é o momento atual, pois comparando com os momentos anteriores, sinto que estamos no caminho certo, pois contamos com consistência e estamos mais estruturados para o próximo passo, de expansão dos negócios através de crescimento e diversificação.

Qual é o lado positivo de ser empreendedor? E o negativo?

O lado positivo é devido ao dinamismo do negócio, aos resultados obtidos, à realização do que foi idealizado e a autonomia, porém com disciplina. O lado negativo é o fato de perder o sono devido aos compromissos com os stakeholders. Com o crescimento da empresa, a pressão e a responsabilidade aumentaram proporcionalmente. Também pelo fato de os clientes serem todos de porte grande, a exigência e a pressão também são maiores.

Como a carreira como empreendedor afetou sua família?

A carreira não afetou a minha família senão positivamente. O trabalho no